07 Junho

Mayo Clinic usa IA em ECG para detectar envelhecimento acelerado

Um novo estudo descobriu que as diferenças entre a idade de uma pessoa em anos e sua idade biológica, conforme previsto por um eletrocardiograma (ECG), habilitado para inteligência artificial (IA) podem fornecer percepções mensuráveis sobre saúde e longevidade.

O modelo de IA previu com precisão a idade da maioria dos participantes, com uma diferença de idade média de 0,88 anos entre a idade indicada no ECG e a idade real. No entanto, vários participantes apresentaram uma lacuna muito maior, aparentemente muito mais velhos ou muito mais jovens do que a idade indicada no ECG.

A probabilidade de morte durante o acompanhamento foi muito maior entre aqueles aparentemente mais velhos na idade indicada no ECG em comparação com aqueles cuja idade no ECG era a mesma que a idade cronológica ou real. A associação foi ainda mais categórica ao prever a morte causada por doença cardíaca. Por outro lado, aqueles que tinham uma menor diferença de idade (considerados mais jovens pelo ECG) tiveram risco reduzido.

“Nossos resultados validam e expandem nossas observações anteriores de que a idade no ECG com uso de IA pode detectar o envelhecimento acelerado, provando que aqueles com idade no ECG acima da esperada morrem mais cedo, principalmente de doenças cardíacas. Sabemos que a taxa de mortalidade é uma das melhores formas de medir a idade biológica e nosso modelo provou isso”, diz Francisco Lopez-Jimenez, presidente da Divisão de Cardiologia Preventiva da Mayo Clinic. O médico Lopez-Jimenez é o autor sênior do estudo.

Quando os pesquisadores ajustaram esses dados para considerar vários fatores de risco padrão, a associação entre a diferença de idade e a mortalidade cardiovascular foi ainda mais pronunciada. Participantes que foram considerados mais velhos pelo ECG em comparação com sua idade real tiveram o maior risco, mesmo depois de levar em conta as condições médicas que preveriam sua sobrevivência, enquanto os considerados mais jovens em comparação com sua idade real tinham riscos cardiovasculares mais baixos.

Os pesquisadores da Mayo Clinic avaliaram os dados de ECG de 12 derivações de mais de 25.000 participantes com um algoritmo de IA previamente treinado e validado para fornecer uma previsão biológica da idade. Participantes com uma diferença de idade positiva (uma idade indicada no ECG maior do que sua idade cronológica ou real) mostraram uma conexão clara com todas as causas e mortalidade cardiovascular ao longo do tempo. As descobertas foram publicadas no European Heart Journal – Digital Health.

Os participantes do estudo foram selecionados por meio do Projeto de Epidemiologia de Rochester, um índice de informações relacionadas à saúde de prestadores de serviços médicos em Olmsted County, Minnesota. Os participantes tinham idade média em torno de 54 anos e foram acompanhados por aproximadamente 12,5 anos. O estudo excluiu aqueles com histórico inicial de ataque cardíaco, cirurgia de ponte de safena ou stents, acidente vascular cerebral ou fibrilação atrial.

 

“Nossas descobertas abrem uma série de oportunidades para ajudar a identificar aqueles que podem se beneficiar mais com as estratégias preventivas. Agora que foi provado o conceito de que a idade indicada no ECG está relacionada à sobrevivência, é hora de pensar como podemos incorporar isso na prática clínica. Mais pesquisas serão necessárias para encontrar as melhores maneiras de fazer isso”, afirma Lopez-Jimenez.

 

Fonte:  Medicina S/A

 
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