31 Março

Em média, Brasil opera com 22% da capacidade de vacinação

 

Sofrendo as consequências da pandemia há um ano, o Brasil chega ao fim março de 2021 registrando os piores índices de casos, internações e óbitos. Os estados, em sua totalidade, estão bem próximos do colapso no sistema de saúde. Com diversas regiões ampliando as medidas restritivas e reforçando as orientações sobre distanciamento social, o País segue com ritmo lento na vacinação e especialistas avaliam a atuação do Governo Federal na distribuição dos imunizantes.

“A nossa apreciação é de que o Governo Federal, na sua responsabilidade de comprar e fazer a distribuição das vacinas para todos os estados, teve um desempenho muito abaixo do que o Brasil já executou em outras ocasiões. É uma performance ruim”, comenta Ricardo Canteras, especialista em logística de cadeia fria e transporte de produtos de alto valor agregado para a saúde humana.

O exemplo de vacinação ao qual o executivo se refere é de 2010, durante a epidemia de H1N1. Na época, o Brasil conseguiu vacinar 80 milhões de pessoas em um período de três meses. “Tivemos, em média, de 750 a 890 mil pessoas por dia vacinadas naquela ocasião. Hoje temos uma média de pouco mais de 200 mil pessoas imunizadas por dia. Em comparação com 2010, isso representa cerca de 22% da capacidade diária que o país possui para a vacinação. Tivemos nos últimos dias um desempenho um pouco melhor, mas a média geral ainda é baixa”, reforça Canteras, que é também diretor Comercial e de Operações da TEMP LOG, operadora logística especializada nos serviços de armazenamento, fracionamento e transporte para a indústria farmacêutica.

Erros logísticos, demora para aquisição de vacinas, além de disputas entre o Governo Federal,  estados e municípios são alguns dos motivadores da lentidão na vacinação e uma taxa de transmissão acelerada. Ao longo de março o Ministério da Saúde anunciou a negociação com diversas farmacêuticas e a compra de doses da vacina da Pfizer - que demanda armazenamento em temperaturas negativas. Durante muito tempo se discutiu a viabilidade da aplicação desses imunizantes em um país de proporções continentais como o Brasil.

“Essas vacinas exigem uma adequação maior da logística, por conta das temperaturas muito baixas, mas é possível. Não só é possível como acreditamos que já deveria estar sendo feito. As empresas brasileiras e os operadores logísticos já estão preparados, têm conhecimento técnico. Precisam, entretanto, de uma adequação de recursos ou mesmo aquisição de equipamentos, mas seria possível já estarmos aplicando a vacina da Pfizer no Brasil”, defende.

Erro logístico

Além dos problemas que já estão estampados em jornais e revistas de todo o país ao longo desses 12 meses de combate à Covid-19, no último mês um erro na destinação das vacinas fez com que Amapá e Amazonas recebessem os lotes trocados. A falha foi percebida e corrigida, mas causou atraso na entrega e deixou um questionamento: há chance de acontecer novamente?

 

Ricardo explica que, o mais provável é que o equívoco tenha ocorrido durante o fracionamento. “Quando falamos em fracionamento estamos nos referindo à atividade dentro do armazém, na hora de fazer a separação das vacinas conforme os pedidos. O Ministério da Saúde emite um relatório solicitando que as unidades sejam fracionadas de acordo com a necessidade de cada estado. E esse erro de inversão, muito provavelmente, foi consequência de um processo de separação que não está automatizado. Já vimos isso acontecer com diversos operadores logísticos quando etapas do trabalho dependem de conferência visual e manual”, explica.

A similaridade entre as siglas dos estados deixa claro, na visão do especialista, que o erro, muito provavelmente, foi humano. Quando alguma das etapas de fracionamento e expedição não ocorre de forma automatizada, as chances de falha se tornam maiores. O risco, agora, é que novos problemas como esse atrasem ainda mais o processo de vacinação.

“É para evitar esse tipo de problema que sempre buscamos automatizar todos os nossos processos. Queremos que as conferências não sejam dependentes do olho humano. Com o computador fazendo essas integrações e processamentos, a chance é praticamente zero”, finaliza Canteras.

 

Fonte: Saude Bunisses

 
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