10 Fevereiro

Médico: "Transplante de rim devolve qualidade de vida ao paciente"

Mato Grosso retomou neste ano a cirurgia de transplante renal após 15 anos com o serviço paralisado. O primeiro procedimento ocorreu em janeiro entre duas irmãs, no Hospital Santa Rosa, unidade credenciada pelo Ministério da Saúde para realizar a operação de transplante renal no Estado.

Para o urologista Carlos Bouret, a retomada dos procedimentos no Estado - após 20 anos - significa, além de economia para os cofres públicos, uma melhora na qualidade de vida do doente renal.

Apesar da doação por pessoas vivas ser algo admirável, Bouret, que coordena a equipe responsável pelos transplante no Santa Rosa, afirmou que a prioridade no transplante de rins é a doação feita por cadáver. 

Isso porque, segundo ele, dois pacientes podem ser beneficiados. Além disso, não se corre o risco de operar uma pessoa saudável.

 “A prioridade na política de transplante é rim de cadáver porque em uma doação, são dois rins, em geral, o que significa que dois pacientes podem ser beneficiado. E ainda, você não opera uma pessoa viva e saudável, não tira do trabalho, do seu dia a dia. Esses pacientes que doam rins ficam 30, 60 dias em repouso”, afirmou.

Segundo Bouret, desde a retomada do serviço no Estado, 55 pacientes já estão cadastrados e aguardam a doação para a realização da cirurgia.

Conforme o urologista, a previsão é que seja realizada uma cirurgia por mês neste ano.

Urologista: Governo Estado vai economizar R$ 10 milhões com retomada do procedimento

“Eu acredito que como nós ficamos muito tempo sem atividade transplantadora é preciso um aquecimento aí... (risos). Para você ter uma ideia, o ano que nós mais fizemos transplante em Mato Grosso foi em 2000. Foram 30. Oito de doador vivo e 22 de doador cadáver”, contou.

O urologista contou que o Hospital Santa Rosa deixou de realizar transplante renal em 2005 após atrasos no repasse pelo Governo Federal.  A cirurgia para transplante de rim no Brasil é financiada pelo Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC).

Com isso, durante 15 anos, os pacientes de Mato Grosso que precisavam realizar o transplante eram encaminhados para outros estados.

De acordo com Bouret, a reativação do procedimento cirúrgico de transplante renal irá gerar uma economia no orçamento do Governo de aproximadamente R$ 10 milhões por ano.

 Isso porque o Estado ficava responsável pelo custeio do tratamento e desembolsava valores exorbitantes para atender e garantir a prestação de saúde aos pacientes por meio Tratamento Fora de Domicilio (TFD).

“É uma atividade que se ela tiver um incentivo do Governo Estadual, que é agora a sensibilidade do Governo hoje... [compensa]. É só de olhar as contas. O Estado hoje gasta mais de R$ 10 milhões por ano só com passagem para duas e estadia. É ruim para o Estado. E o paciente e o acompanhante também têm despesas. Eles têm que comer lá, tem que ter condução, enfim”, disse.

 “Desde o Governo passado já estava se buscando o credenciamento com o Hospital Santa Rosa  [para retomar o transplante renal].  O credenciamento ocorreu no final do Governo passado e as atividades começaram no Governo do Mauro Mendes”, ressaltou.

 “Qualidade de vida”

A gente costuma falar que não é que o transplante salva vidas, ele salva qualidade de vida. Ele devolve ao paciente a sua independência

Sem previsão de que no futuro haja redução nas sessões de hemodiálises para diminuir o sofrimento do doente renal, o urologista afirmou que o transplante devolve “qualidade de vida” ao paciente.

 “O transplante retira o paciente da hemodiálise. A hemodiálise é um procedimento através do qual uma máquina limpa e filtra o sangue, ou seja, faz o trabalho que o rim doente não pode fazer. É por isso que a gente acredita que não será possível um método para reduzir as sessões”.

“Tem pacientes que até pode ficar 3, 4 dias sem dialisar, mas os pacientes que conseguem urinar. Agora, aquele que não urina não pode nem beber água que vai inchar. A gente costuma falar que não é que o transplante salva vidas, ele salva qualidade de vida. Ele devolve ao paciente a sua independência”.

 “Você imagina que um renal crônico queira viajar durante 15 dias. Para ele ir, ele precisar ter um serviço de hemodiálise lá. Ele vai ter que  ligar na clínica e agendar as sessões e requisitar que a clínica daqui envie um relatório seu para lá. Ou seja, ele não é independente”.

Bouret lembrou, porém, que nem todos os renais crônicos podem realizar o transplante.

 “Portadores de enfermidades hepáticas, cardiovasculares ou infecciosas que não se encontrem controladas e pacientes gravemente desnutridos são contraindicações formais para esta operação”.

Prevenção

Conforme o urologista, para prevenir a insuficiência renal, é necessário controlar a diabetes e a hipertensão, além de não fazer uso exagerado de anti-inflamatório.

 “Tem duas doenças que sabidamente pode levar a insuficiência renal: diabetes e hipertensão. Então, quem tem diabete e hipertensão precisa controlar rigorosamente a sua pressão e sua glicemia, porque se não levar a sério essas doenças vão levar a insuficiência renal”.

“O uso de anti-inflamatório com frequência também causa lesão funcional dos rins. Controlando tudo isso, podemos dizer que, de certa forma, a pessoa vai conseguir prevenir a insuficiência renal”.

 

Fonte: Midia News

Ler 43 vezes
Avalie este item
(0 votos)

Facebook

Parceiros

 

Contato

Sindessmat - Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso

Rua Barão de Melgaço, n° 2754

Edifício Work Tower - Sala 1301

Cuiabá - MT

Telefone: (65) 3623-0177

Email: diretoria@sindessmat.com.br

Sobre nós

O SINDESSMAT – Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso – conforme seu Estatuto, é constituído para fins de estudo, coordenação, proteção e representação legal da categoria dos estabelecimentos de serviços de saúde, dentro do estado de Mato Grosso.