10 Janeiro

Relação médico paciente – Medicina Humanizada

Termo Medicina Humanizada é muito discutido, principalmente sobre a relação médico paciente, relação esta de extrema importância para um bom caminho na qualidade da Medicina

O termo Medicina Humanizada é muito discutido, principalmente sobre a relação médico paciente, relação esta de extrema importância para um bom caminho na qualidade da Medicina. Ao longo destes anos, como estudante de Medicina, principalmente no acompanhamento dos estágios, ouvi pacientes reclamando da falta de um atendimento mais humano.

Infelizmente, é comum o paciente entrar em alguns consultórios e sequer o médico do plantão levantar para examinar. A consulta e a relação que ali deveriam existir ficam separados por uma mesa e um computador. Quem nunca passou por isso? É importante frisar que esta conduta não é generalizada, apesar de frequente.

Recentemente, li um texto do mais renomado clínico do país, o professor doutor Antonio Carlos Lopes, que traz uma reflexão importante: “Medicina é ciência, arte e intuição. A intuição começa a guiá-lo no momento em que coloca os olhos sobre o paciente. Um aperto de mão também pode revelar muita coisa. Mãos quentes podem revelar um estado febril. Ou, quem sabe, um hipertiroidismo. Se tiverem frias, talvez seja um sinal de estresse ou de raiva. Suor excessivo nas palmas das mãos pode ser ansiedade. Uma demonstração de que o doente não se sente à vontade na presença do médico. Isso é péssimo”.

Desta forma, o embate do conceito Medicina Humanizada vai muito além do atendimento médico no consultório, tudo começa muito antes da consulta, e continua com sua saída da unidade de saúde. O atendimento precisa ser completo e ágil, englobando desde a triagem, consulta, encaminhamento para exames, diagnóstico, tratamento, até o pós.

O paciente necessita de uma equipe multidisciplinar, integrada e eficiente, de forma que seja priorizada a qualidade do serviço de saúde. Durante o atendimento, o médico precisa realizar uma boa anamnese, examinar o paciente, ouvir sua intuição, passar confiança para aquele que está ali pedindo sua ajuda e lhe entrega o bem mais precioso, a vida.

O paciente precisa se sentir acolhido, e o médico precisa buscar a solução, encaminhar para os exames complementares (importante ressaltar o que o próprio nome diz, ‘complementares’), e obviamente ser honesto: o paciente está sem enfermidades, então para que exigir exames ou tratamentos desnecessários?

Talvez esta falta de contato com o paciente seja um dos motivos do aumento expressivo de erros médicos. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 70 novas ações de erros médicos no Brasil são abertas por dia, cerca de três por hora. Estes dados são importantes para que exista um debate da qualidade do atendimento médico, assim como de sua formação. É deprimente um médico que não toca no seu doente, não examina, não escuta.

É impossível falar de uma Medicina Humanizada sem citar a tecnologia e os avanços ao longo dos anos, isso sim precisa ser utilizado de forma correta, pois a tecnologia traz um tratamento mais eficaz, menos invasivo em alguns procedimentos, com um melhor conforto para o paciente.

 

Mas isso é possível num país que tem um sistema de saúde com tantos problemas? Outro ponto fundamental nesta reflexão é que a humanização também precisa cuidar dos profissionais de saúde, da saúde deles, das cargas horárias, das estruturas e do suporte necessário para que a função do médico, que é salvar vidas, seja executa de forma digna.

Infelizmente, na maioria das unidades hospitalares do Brasil, esta Medicina ágil, eficiente e estruturada não existe, mas ouvir o paciente e examiná-lo é possível, independente de estrutura, ou condições, isso não envolve nada além da missão do médico e de sua vontade.

Não há nada mais gratificante na Medicina do que o médico ver seu paciente bem, e é o amor pela Medicina que diferencia os médicos dos que são só formados em Medicina

 

Fonte: Anahp

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