06 Junho

Mais tempo de vida ao combinar terapias contra o câncer de mama

Avanços terapêuticos contra o câncer de mama foram um dos assuntos mais abordados no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, em inglês), realizado na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Ontem, encerramento do evento científico de cinco dias, um grupo de americanos apresentou os benefícios proporcionados pela adição da droga ribociclibe no tratamento padrão de hormonioterapia em mulheres na pré-menopausa e com tumor de mama metastático. Os testes mostraram que o medicamento aumenta por 10 meses a sobrevida das pacientes. Outra pesquisa apresentada mostrou uma ferramenta que poderá ajudar a reduzir a exposição à toxicidade durante a recuperação de cirurgias de retirada do tumor de mama.

O primeiro estudo, chamado MONALEESA-7, contou com 672 mulheres que tinham menos de 59 anos, estavam na pré-menopausa e com câncer de mama metastático positivo para receptor de hormônio HER2. Nenhuma delas havia sido previamente tratada para a doença em estágio avançado. Metade recebeu terapia hormonal e placebo. O outro grupo recebeu terapia hormonal com ribociclibe — medicamento que pertence à classe dos inibidores de ciclina, que bloqueiam a atividade de proteínas que promovem a divisão celular e o crescimento do câncer. O trabalho revelou dois ganhos importantes no segundo grande grupo de mulheres: redução da velocidade de progressão da doença e aumento do tempo de vida (sobrevida global) de 10 meses a mais que o grupo que recebeu a terapia hormonal padrão e placebo.

Também constatou-se que, entre as participantes que receberam a terapia combinada, a doença não progrediu por, em média, 23,8 meses. No caso das mulheres que receberam a terapia endócrina e o placebo, o valor foi de em média 13 meses A diferença corresponde a um risco 29% menor de morte em pacientes que recebem a terapia combinada. “É ótimo ver que estamos ampliando a duração da vida de uma pessoa, e não apenas o tempo que a doença é controlada. Muito poucos ensaios mostram melhora na sobrevida global. Isso é o que é tão fenomenal sobre os dados do nosso trabalho”, frisou Sarah Hurvitz, principal autora do estudo e professora-associada de hematologia da Universidade da Califórnia (UCLA).

A autora do estudo, que também foi publicado, ontem,  na revista especializada New England Journal of Medicine,  ressalta que os dados são ainda mais importantes devido ao perfil das pacientes analisadas. “Esse teste foi único, porque ele olha para as mulheres mais jovens que não passaram pela menopausa. Esse é um grupo importante para estudar, uma vez que o câncer de mama avançado é a principal causa de morte por câncer em mulheres com idade entre 20 e 59 anos, e a grande maioria dos casos de câncer de mama é positivo para receptores de hormônios”, explicou, durante a apresentação do trabalho no Asco. Os autores também não relataram efeitos colaterais diferentes dos descritos na abordagem padrão.

Ineditismo

 Para Cristiano Rezende, oncologista do Instituto Onco-Vida/Oncoclínicas, em Brasília, o maior ganho da pesquisa é o aumento de tempo de vida das pacientes. “É um estudo que, pela primeira vez, mostra o aumento da sobrevida global. Esse ganho de 10 meses é muito importante”, ressaltou. O médico explica que o medicamento testado é amplamente usado, mas o trabalho americano traz novidades. “Temos três moléculas disponíveis para fazer esse papel inibidor de CDK. Todas já estão disponíveis no Brasil e em uso, mas a grande questão é que essas drogas foram testadas apenas em mulheres com câncer de mama no cenário pós-menopausa e pós-metastático. Em todos os estudos, as drogas aumentaram a sobrevida em relação apenas à velocidade da progressão da doença e não em relação ao ganho de vida global, que é algo extremamente importante”, explica.

Rudinei Linck, oncologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, também ressalta que a pesquisa mostra dados extremamente importantes para a área de tratamento do tumor de mama. “Ele confirmou os benefícios que já imaginávamos ocorrer, de redução da mortalidade de mama. Esse medicamento foi aprovado há mais ou menos um ano e, agora, uma dúvida se dissipa. Confirmamos que a paciente vai viver por mais tempo, e por um tempo significativo, o que nos dá mais segurança para usá-lo. Isso contribui para um tratamento mais eficaz.”

 

Fonte: Correio Brasiliense

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