09 Julho

Estado e municípios debatem com Ministério da Saúde desafios da atenção básica

Durante dois dias, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde e Conselho Estadual de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) discutiram os desafios para melhorar a Atenção Básica à Saúde em Mato Grosso. Atualmente, o estado possui 69,6% da população com cobertura de Equipes de Saúde da Família (ESF), percentual acima da média nacional, que é de 63,3%.

 

Adriana Paula de Almeida, apoiadora do Ministério da Saúde, fez uma explanação sobre a situação da Atenção Básica no país e que aponta quais são esses desafios a serem enfrentados em busca da melhoria dos índices. Um deles consiste em consolidar a reestruturação das unidades básicas com reformas, ampliações, construções, equipamentos, informatização com prontuário eletrônico e conectividade.

 

Outro ponto apresentado foi a necessidade de ampliar o acesso, a qualidade, a resolutividade e a capacidade de cuidado da atenção básica, intensificando a oferta de qualificação do trabalho. Neste sentido, Adriana Almeida apontou o apoio institucional, cooperação, pagamento por desempenho, o programa Telessaúde, além da formação de estudantes e residentes, protocolos clínicos e de encaminhamento entre outros.

 

“Garantir financiamento tripartite compatível com os custos de uma atenção básica com mais acesso, qualidade e resolutividade, e considerando diferenças regionais, é outro grande desafio”, aponta o relatório do Ministério da Saúde, que destaca ainda a necessidade de se consolidar todas as ações previstas de provimento, fixação e formação do programa Mais Médicos, na perspectiva de construir uma política sustentável de gestão do trabalho para o conjunto dos trabalhadores da Atenção Básica.

 

Em contrapartida, a Secretaria de Estado de Saúde apresentou um boletim contendo um panorama da Atenção Básica em Mato Grosso e todas as ações colocadas em prática em busca do seu fortalecimento.

 

Regina Paula de Oliveira Amorim Costa, coordenadora de Atenção Primária da SES/MT, expôs o apoio técnico e institucional que o Estado oferta para todos os municípios por meio dos Escritórios Regionais de Saúde (ERS) em busca de desenvolver e melhorar a qualidade técnica, trabalhando o apoio da gestão e do profissional para que ele consiga qualificar seu processo de trabalho na Atenção Primária.

 

Outra questão destacada pela coordenadora é o cofinanciamento. “Desde 2000 a SES possui uma história de ser pioneira no Brasil no repasse fundo a fundo desse incentivo financeiro aos municípios que implantam as equipes de Saúde da Família, equipes de Saúde Bucal e agentes comunitários em assentamentos rurais, sendo esta uma importante estratégia que o governo do estado tem para ampliar e melhorar a resolutividade da Atenção Primária em seu território”, ponderou.

 

Regina comentou também sobre a ferramenta do Telessaúde, que oferta teleconsultoria, telediagnósticos, teleducação, e que está sendo de extrema importância para a prevenção e promoção da saúde da população. “Prova disso que temos muitos depoimentos dos gestores municipais sobre a importância dessa ferramenta, principalmente dos municípios mais distantes, muitas vezes da zona rural onde o profissional pode contar com a referência de especialistas para esclarecer suas dúvidas”.

 

Outro ponto ressaltado por Regina Costa foi o projeto que está sendo discutindo junto com a Escola de Saúde Pública e diz respeito a um curso permanente para todos os profissionais de Atenção Primária de Mato Grosso. Nesse curso, a proposta é para que seja aperfeiçoada a organização prática dos processos de trabalho dentro das Unidades Básicas de Saúde, e que seja um curso ofertado a todo tempo. “Que todo profissional que entrar em uma equipe na unidade básica passe por esse curso a fim de ampliar os seus conhecimentos, entender como a unidade funciona, como ela deve ser organizada, melhorando a resolutividade da atenção que ele vai ofertar ao usuário”.

 

Também aparece como estratégia no plano de reestruturação da SES junto ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) a Planificação de Atenção à Saúde. “A proposta é de buscar, por meio de oficinas, a reorganização da Atenção Primária e da atenção ambulatorial especializada nas regiões de saúde, visando a melhoria da qualidade e a resolutividade, ampliando a questão da referência e contra referência, diminuindo as filas por especialidade, qualificação do profissional e organização dos seus processos para atender as necessidades de saúde do usuário”, finalizou a coordenadora.

 

Debates estaduais

 

Os encontros estaduais tiveram início este ano, como informa o coordenador do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Dirceu Klitzke. “A origem desses encontros ocorreu no Fórum Nacional de Atenção Básica. Há sete anos o Ministério da Saúde reúne secretarias estaduais, municiais e universidades que possuem vínculo direto com algum programa que a atenção básica desenvolve, como o Mais Médico e o Telessaúde”, pontuou.

 

Os espaços estaduais de debate da atenção básica, no entanto, não eram de forma sistemática e em todos os estados. “Esta é a primeira vez que o Ministério da Saúde toma a decisão de fazer eventos em todos os estados para construir politicamente a parceria com as secretarias estaduais e o Cosems, discutir a agenda e adaptá-la a cada região diante de suas singularidades”, afirmou.

 

Dirceu Klitzke destacou a participação da gestora do município de Juína Leda Maria de Souza Villaça na mesa redonda “Estratégias de fortalecimento da Atenção Básica no Estado de Mato Grosso - Secretaria Estadual de Saúde”.

 

“A gestora apresentou boas práticas em busca do fortalecimento da rede básica, observando que nos limites ainda é possível avançar bastante como trabalhar mais a clínica, discutir a básica com a especializada, implantar protocolos clínicos, informatizar o serviço através de prontuário eletrônico onde se tenha informações do conjunto dos sistemas”, concluiu o coordenador.

 

Fonte: Folha Max

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