14 Maio

As bactérias do seu intestino podem influenciar sua saúde mental

Doenças metabólicas, obesidade, aterosclerose, câncer, doenças autoimunes, alergias e, como não podia deixar de ser, doenças psiquiátricas parecem ter relação com a população de bactérias que habita nosso corpo.

Em geral tendemos a imaginar nosso corpo como uma coisa muito pessoal e particular. Mas sem dúvida o mais preciso seria imaginá-lo como um grande condomínio, onde vivem trilhões de microorganismos. E cada vez mais a medicina vem reparando que o jeito com que nosso organismo lida com esses inquilinos pode ser a chave para uma série de doenças.

 

Sem dúvida não é novidade que somos colonizados por inúmeros microorganismos. Desde o século XVII, para ser preciso, quando o holandês Antonie van Leeuwenhoek descobriu os primeiros microorganismos. Ficou muito impressionado com a  grande quantidade deles que podia ser encontrada no nosso próprio corpo e seus produtos. Curioso que Leeuwenhoek, talvez por não ser médico de formação -era um comerciante- não os enxergou como potenciais agentes causadores de doenças. Manifestava mais curiosidade e simpatia por eles do que medo ou desconfiança.

 

Mais para frente, lá no século XIX, ganhou força a Teoria Microbiológica das Doenças, que defendia, corretamente, que as doenças eram causadas por microorganismos. Os defensores mais notáveis dessa teoria eram Albert Koch e Louis Pasteur. Eram rivais declarados, tendo tido ambos descobertas notáveis. Mas vale colocar também que acabaram por tornar disseminada a ideia de que os germes são nocivos e devem ser eliminados. Não é à toa que Pasteur inventou um método extremamente eficiente de matar bactérias utilizado até hoje que carrega seu nome: pasteurização.

 

Pois bem, nas últimas décadas o jogo começou a virar um pouco. Após mais de meio século de uso desenfreado de antibióticos, fomos percebendo que isso estava levando a outros problemas. Além da já esperada resistência aos antibióticos, fomos percebendo que isso estava levando a outros problemas. Além da já esperada resistência aos antibióticos, percebemos que outras doenças que não são infecciosas estão relacionadas à quantidade e principalmente à quantidade e principalmente à quantidade de bactérias existentes na nossa flora intestinal. Doenças metabólicas, obesidade, aterosclerose, câncer, doenças autoimunes, alergias e, como não podia deixar de ser, doenças psiquiátricas parecem ter relação com a população de bactérias que habita nosso corpo.

 

Isso esclarece, ao menos em parte, porque talvez alguns tipos de tratamento funcionem para algumas pessoas e outros não. As dietas por exemplo. Mesmo seguindo as mesmas recomendações nutricionais, as pessoas têm resultados absolutamente diferentes. Não é difícil imaginar que talvez trilhões de bactérias ajudando ou impedindo a digestão dos alimentos possa ter um impacto brutal sobre isso.

 

O senso comum já relaciona o hábito intestinal com o estado de humor das pessoas. Os estudos mostram que talvez essa relação seja mais profunda do que imaginávamos.

 

Existem diversos estudos já que demonstram que a ingestão de certos tipos de bactéria podem levar a uma melhora do humor comparável à dos antidepressivos. Também foram encontradas diferenças marcantes nas bactérias das fezes Com resultados promissores até o momento.

 

Ainda faltam estudos maiores para que isso possa se validar como um tratamento de primeira linha. Ainda estamos dando os primeiros passos de uma área que certamente é muito complexa. Mas pense nisso quando cogitar comprar aquele abonete que mata “99% das bactérias”.

Fonte: Repórter MT

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