Segunda, 02 Abril 2018 09:13

Déficit de pediatras é de 50% em MT

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Déficit de pediatras é de 50% em MT

Fila de espera por chegar a dois anos, como ocorre na neuropediatria, em que existe paciente aguardando desde 2016.

 

Mato Grosso nao tem pediatras suficientes para atender cerca de um milhao de crianças com idade entre zero e 18 anos. Segundo a Demografia Médica 2018, sao 426 pediatras para todo o estado. O deficit de profissionais causa demora nas consultas, especialmente nas subáreas da pediatria. Em alguns casos, a fila de espera pode chegar a dois anos, como ocorre na neuropediatria, em que existe pacientes aguardando desde 2016 por uma consulta na Central de Regulaçao. A falta de atendimento pode agravar os problemas de saúde, causar lesoes permanentes e representa até mesmo risco de vida aos pacientes.

 

Secretário-adjunto de Políticas e Regionalizaçao da Secretaria de Estado de Saúde, Cassiano Falleiros confirma que o índice de cobertura pediátrica em Mato Grosso é a metade do que preconiza a Organizaçao Mundial de Saúde - que indica o mínimo de 20 médicos por 100 mil habitantes. Isso é um indicador de que há crianças que nao estao sendo assistidas e que falta acesso a saúde.

 

Com uma das maiores demandas e poucos médicos especializados, a neuropediatria é apontada como um dos gargalos, mas também sao poucos os pediatras especializados em cardiologia, cirurgia, genética e endocrinologia, entre outros. Para o gestor, como se trata de falta de médicos, nao há o que fazer para resolver a fila de espera por atendimentos especializados. “A criança é acompanhada por um pediatra geral, até que se consiga uma consulta com o especialista”.

 

Para melhorar o quadro, Cassiano aponta a necessidade de adoçao de várias medidas. Primeiro, ele considera necessário uma política educacional e de saúde pública voltada para a formaçao de mais médicos nas áreas em que há demanda. Também considera importante o estímulo para que haja mais programas de residencia médica (especializaçao) no interior, onde a situaçao é mais grave. Depois, diz ser necessário melhores condiçoes de trabalho e remuneraçao.

 

Enquanto isso nao ocorre, a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) nao anda para muitas famílias ou, quando anda, já pode ser tarde.

 

Foi o que aconteceu com o pequeno Leonardo, de seis meses. Prematuro, os problemas iniciaram ainda na maternidade pública, onde exames necessários nao foram feitos. Depois, a demora em conseguir um retinólogo resultou na perda total da visao do olho esquerdo, conforme conta a mae, a atendente de caixa Iara Ribeiro da Paz, 25. O diagnóstico foi recebido na semana passada, quando a criança passou por consulta médica com o especialista no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, depois de meses de peregrinaçao.

 

Em muitos casos demora representa sequelas, como para o pequeno Leonardo que já perdeu totalmente a visão do olho esquerdo.

 

Abalada pela notícia, Iara acredita que se nao fosse a demora em conseguir um especialista, o filho nao perderia a visao.

 

Nesta semana, Leonardo vai passar por uma cirurgia no olho direito, na tentativa de recuperar parte da visao e evitar que fique completamente cego. Mas o procedimento nao é garantido. “É muito descaso. Agora o problema já está avançado. Se nao fosse a demora isso podia ter sido evitado”, desabafa.

 

Iara conta que teve muita dificuldade e ficou cerca de tres meses tentando conseguir um retinólogo para avaliar Leonardo. Como a família é de Terra Nova do Norte (647 km da Capital), mae e filho ficam hospedados na casa de uma prima, quando vem para Cuiabá. “Desde a primeira consulta o médico (de Terra Nova) falou que era urgente e precisava de cirurgia. O pedido foi para a Central de Regulaçao e lá ficou”.

Fonte: Folha Max 

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